DARK GERO


05/01/2009


Lugar Nenhum Parte III (por Dark Gero)

 

Por alguns segundos, Gil ficou ali, parada, incapaz de se mover, repentinamente tomada por aquele desespero devastador. Ele estava observando-a. De outra maneira, como saberia que ela havia retirado os óculos?
Sentou-se em uma cadeira, ainda tremendo, Não havia nenhuma janela aberta ou nenhum contato com o lado de fora da casa. Então como? Uma idéia passou por sua cabeça, e a fez ficar ainda mais paranóica. E se houvessem câmeras espalhadas por ali? Santo Deus, há quanto tempo ela estava sendo vigiada? Tinha que pensar em algo logo. Se ele podia vê-la, então não só sua amiga e seu namorado iriam morrer caso ela tentasse algo, mas sua família inteira...
Pense! Pense! Pense! Ela já havia recolocado os óculos e batia na testa com as mãos. Não podia ficar ali, parada. Tinha que pensar em algo. O estranho que lhe ligara não dissera o nome, nem o que ela deveria fazer. Apenas o que não deveria. Ficou andando pela casa, com a terrível impressão de estar sendo observada.
O tempo estava passando...
Não agüentou nem mais um segundo. Foi ligar o computador, mesmo correndo o risco de estar pondo todos em perigo. Não tinha tempo para pensar na razão daquilo tudo estar acontecendo. Abriu o MSN.
Havia várias pessoas online, menos Alex e Dark Gero. Ele se perguntava se não era burrice ir contra as ordens do seqüestrador. Ficou olhando para a tela, ansiosa.
Dark Gero apareceu online. Ela sentiu um aperto no peito.
─ Gil!
─ Por favor, me diz o que ta acontecendo!
─ Vc caiu na armadilha dele, Gil!
─ Ele quem?
─ Alex.
─ Ele disse o mesmo de vc! Naum sei em quem confiar!
─ Vc me conhece há um bom tempo. Eu nunca faria nada pra te machucar.
─ O que é tudo isso, heim? O que vcs pretendem? Pq estão fazendo isso comigo?
─ Nunca te fiz nada. Escuta, Gil. É algo muito além da sua compreensão o que está acontecendo. Talvez a verdade não seja de muita ajuda nesse momento.
─ Eu quero a verdade! ─ ela colocou em letras grandes.
Houve uma pausa. Ela pediu a atenção dele.
─ É tudo muito assustador. Não quero mentir pra vc.
─ Por favor, diz!
─ Eu não te conheci por acaso, Gil. Meu intuito desde que te adicionei foi te proteger. Eu tinha que me aproximar de vc de alguma maneira.
─ Do que está falando? Proteger do Alex?
─ O Alex está sendo usado. Vc tem algo que agrada a eles.
─ Eles quem?
─ Vc ainda tem o vídeo com vc?
─ Tenho sim.
─ Assista ele de novo.
─ Pra quê? Pra me martirizar?
─ Assista! Agora, por favor!
Ela decidiu obedecer. Talvez ele fosse apontar algo que ela não havia notado. Colocou o CD no drive do computador. Na tela mostrava sua amiga no banco de uma praça, como havia visto antes. Seu namorado então aparecia...
Ela minimizou a janela do vídeo. Escreveu para Dark Gero.
─ O que vc quer que eu veja?
─ Olhe direito... ─ ele escreveu.
Ela maximizou a janela. Voltou um pouco o vídeo.
Arregalou os olhos.
Não, não poderia estar ficando louca. Depois que seu namorado sentava no banco, eles ficaram conversando por um tempo, então ele se levantava dando um beijo leve no rosto dela. Ela tinha certeza que antes vira eles beijando-se como dois apaixonados, beijo de língua. O que estava acontecendo? Alguém trocara o CD?
─ O que significa isso? ─ ela escreveu confusa para Dark Gero. ─ Eu vi, não to ficando louca! Eles se beijaram!
─ Vc viu o que ele quis que vc visse ─ escreveu ele. ─ Agora poderia ver a verdade.
Ela não acreditava. Voltou o vídeo mais uma vez... E mais outra. A mesma cena. Não havia nada demais naquilo. Não era possível! Gil tinha certeza do que vira. Voltou pela ultima vez.
─ O que vcs querem? Pq estão me perseguindo? Pq vc disse que tinha que me proteger?
─ Não se preocupe. Sua família vai ficar bem, vc vai ficar bem. Eu prometo! Onde é sua casa? Por favor, me dê o endereço!
Gil sentiu um calafrio percorrer a espinha.
─ Eu nunca mencionei que minha família estava em perigo! Como sabe?
A ansiedade tomou conta dela. Talvez estivesse falando com o provável seqüestrador. Ouviu o barulho de chuva sobre o telhado.
─ Por que eu sei onde eles estão.
─ Onde!?
A janela do vídeo maximizou-se sozinha. Ela tentou voltar a minimizar, mas não estava respondendo. Mostrou novamente sua amiga na praça. Tentou apertar o "X" do canto superior da página, mas não respondia. Mostrou seu namorado aparecendo. E desta vez algo bizarro aconteceu...
Ao invés de ocorrer o que havia se repetido tantas vezes no vídeo, (?) e (?) olharam estranhamente para a câmera, ficando ali, parados, encarando Gil.
Ela não conseguiu conter o grito.
As luzes apagaram-se.
O telefone tocou estridentemente. Ela ligou o celular, apavorada, para que a luz dele iluminasse o cômodo mergulhado nas trevas. Andou quase às cegas até a sala, apalpando as paredes com suas mãos trêmulas. Tinha certeza de quem estava ligando. Seria o seqüestrador, dizendo que violara as regras e que por isso, sua família iria morrer. Sua mente estava entorpecida com toda aquela série de absurdos. Perguntou-se se não estava enlouquecendo...
─ Alô! ─ disse num grito de raiva e medo ao mesmo tempo.
─ Fala baixo, menina!
A voz irritada do outro lado da linha fez uma corrente de alívio dominar Gil. Era a voz de seu...
─ Pai! ─ ela disse positivamente surpresa.
─ Que alarde é esse, menina? Já chegou em casa?
─ Sim...
─ Eu e sua mãe vamos chegar mais tarde um pouco hoje. Resolvemos sair um pouco. Se seu irmão chegar, diz pra ele não sair que quero ter uma conversa com ele.
─ Tá, pai... Eu aviso... ─ Desligou. Gil não poderia estar mais aliviada. Não passara de um trote de mau gosto, um blefe. Mas como o cara que ligara sabia que ela havia tirado os óculos? E A bizarrice que acontecera há pouco com o vídeo? E (?) e (?)?
Ouviu um barulho atrás de si. Virou-se assustada, tropeçando em alguma coisa, caindo no chão. A luz do celular iluminou o fio do telefone que acabara de atender.
Não! Não pode ser!
O fio do telefone estava fora dele. Não tinha como ter atendido... A chuva caía fortemente lá fora agora. Trovões gritavam no céu, como se estivessem furiosos. O barulho se repetiu próximo a ela. Gil apontou o celular para a direção do ruído.
─ Quem está aí?
Não havia nada.
Gil levantou-se, perdida no limiar da sanidade e da loucura. Girou o braço ao seu redor, tentando iluminar qualquer coisa estranha. Seu coração batia acelerado como nunca. Aquilo era além da imaginação, não poderia estar acontecendo. Tinha que ser um sonho. Tinha que...
─ Vamos dar um passeio, minha linda ─ uma voz conhecida disse repentinamente atrás dela.
Antes que pudesse ter qualquer reação, sentiu uma forte pancada na nuca.
Havia perdido os sentidos quando seu corpo caiu no chão.

(continua...)

 

Escrito por Dark Gero às 19h35
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04/01/2009


Lugar Nenhum Parte II (por Dark Gero)

─ O que houve, Gil? Você está pálida!
Gil estava em pânico. Não sabia o que fazer. A assustadora ligação que recebera há pouco fizera com que Alex à sua frente lhe parecesse um monstro. Mas ela não podia deixar transparecer. E se seu namorado e sua amiga estivessem mesmo em perigo? Ela estaria em sérios apuros naquele exato momento. Tentou se controlar...
─ Nada. Estava passando mal. Desculpa, mas eu tenho que ir agora...
─ Ei, espera um pouco ─ disse Alex com uma expressão estranhamente sincera. ─ Você está bem? Posso te levar ao hospital...
─ Não, não, eu apenas tenho que ir... ─ era impossível ocultar o medo que ela sentia. Virou-se instintivamente, quase pronta para correr.
Ele segurou seu braço.
Gil Arrepiou-se.
─ O que está havendo, Gil? Você não veio aqui para que eu te explicasse aquele vídeo? Eu tenho que falar com você urgente! Muita coisa tem que ser explicada...
─ Por favor, me larga ─ ela estava prestes a gritar. Nunca sentira tanto medo na vida.
─ Ele te ligou, não foi?
Gil paralisou-se. Seu coração estava a mil. Ele sabia de tudo? O que estava havendo? Súbito, uma onda de raiva tomou conta dela. Eram pessoas que amava que estavam em perigo!
─ Onde eles estão?
─ Vamos para outro lugar.
─ Não vou a lugar algum com você.
─ Fale baixo, por favor. Só quero te explicar tudo ─ ele falou quase cochichando, temendo chamar a atenção das pessoas. ─ Gil, é tudo muito complicado, mas estou disposto a esclarecer cada dúvida sua. Só ouça minhas palavras: Não confie nesse cara que te ligou. Ele vai fazer de tudo para conseguir o que quer...
Os olhos de Gil se encheram d'água. Ela não poderia estar mais confusa.
─ Por favor, me diz o que está acontecendo... Eu não sei mais em quem confiar...
Ele passou a mão pelos cabelos dela, tentando acalmá-la.
─ Quem te mostrou o rosto, hã? Pode confiar em mim... Olha, vamos sentar em um banco lá fora. Juro que te conto...
─ Não, fale aqui mesmo! ─ ela desafiou, enfrentando o próprio medo.
Ele pareceu hesitar. Vasculhou ao redor com seus olhos azuis e focou-os em Gil. Falou com uma seriedade impressionante:
─ O vídeo que te enviei não é falso. Seu namorado e sua amiga realmente se beijaram...
─ Eu não acredito! ─ a ira tomou conta dela. Ela preferia a versão de que o vídeo fora falsificado. Nesse caso, estava em perigo estando ali com Alex.
─ Me escuta. Eles foram forçados a fazerem aquilo.
─ O... O quê...?
Uma senhora vestida de verde que ia passando por ai ficou olhando fixamente para Gil, com certa estranheza.
─ Estamos chamando muito a atenção aqui, Gil. Por favor, vamos pra fora.
─ O que você quis dizer com "foram forçados"? Você os forçou?
─ Não. Claro que não. O cara que te ligou. Tudo faz parte do plano dele.
─ Onde eles estão? ─ as lágrimas rolavam de seu rosto.
Um homem de que ia passando por ali encostou próximo aos dois.
─ Está tudo bem? ─ falou dirigindo-se a Gil.
Ela não podia vacilar. Estragaria tudo, poria em perigo a vida do namorado e da amiga, mas aquela era sua chance.
─ Não deixa ele me seguir! ─ dizendo isso, disparou correndo sem olhar para trás.
Dobrou uma esquina, indo para a parte do cinema. Adentrou a multidão, mas sem prestar atenção a ninguém. As pessoas olhavam para ela sem entender o que estava acontecendo, mas ninguém a parou. Saiu do shopping paranóica, olhando para trás o tempo todo. Nunca passara por nada parecido em toda a sua vida! Continuou correndo, entrando em uma rua escura, sem lembrar-se do quanto temia passar por ali sozinha. Só queria ir para o mais longe possível do shopping...
Dez minutos depois estava em uma parada de ônibus. Havia outras pelo caminho, mas ela queria se afastar ao máximo. Escondeu-se atrás de uma árvore, enquanto seu ônibus não vinha.
Esperou cerca de vinte minutos antes de seu ônibus aparecer.
Ao pisar no primeiro degrau, uma onda de alívio tomou conta dela. Estava a salvo.
Mas quanto a (?) e (?)?


● ● ●

Desceu do ônibus um tanto zonza. Estava com uma forte dor de cabeça. Durante sua vida inteira nunca passara por nenhuma situação realmente perigosa. Naquele momento um turbilhão de emoções explodia em seu peito. Nunca estivera tão confusa. Nunca sentira tanto medo. Suas pernas estavam bambas.
Chegou em casa e estranhou que as luzes estivessem apagadas. Para onde seus pais e seu irmão tinham ido? Pegou sua própria chave e entrou. Trancou a porta e foi direto para seu quarto. Jogou-se na cama, entregando-se às lágrimas.
Como se saísse de um transe, pegou o celular e discou o número de sua amiga. Desistiu depois do décimo toque. Em seguida discou o de seu namorado.
Um toque...
... dois toques...
... três toques...
... quatro toques...
Atenderam!
─ Alô!? (?)?
Não houve resposta. Quem estava do outro lado da linha não falava nada.
─ (?)! (?)!─ ela insistiu chamando o nome do namorado. ─ Você está bem? Onde você está?
Ela teve a nítida impressão de ter ouvido uma risada antes da ligação cair.
Arrepiou-se. Tinha que entrar em contato com os dois logo ou chamaria a polícia. Não sabia se fizera bem em correr de Alex no Shopping ou se perdera a oportunidade de descobrir a verdade. Conhecia muito bem sua melhor amiga, ela nunca a trairia. A versão de que foram forçados a fazer aquele vídeo era mais palpável. Mas por que fariam aquilo com ela? Qual a finalidade de quem quer que fosse com aquilo tudo? Assustar? Não, não era uma simples brincadeira. Então por quê? Por quê?
Tremeu de susto com o toque do telefone da sala. Quem seria? Seus pais ou seu irmão... ou quem sabe (?) ou (?)...
Foi até a sala atender.
─ Alô?
─ Se desligar eles morrem.
Gil gelou por inteiro. Aquela voz abafada por um pano, talvez, a paralisara completamente.
─ Quem... Quem é...?
─ Se avisar a alguém, ligar para mais alguém ou simplesmente agir de maneira que acarrete perguntas, todos eles morrem.
O pânico voltou a contagiar Gil. Ela mal conseguia segurar o telefone. Como ele conseguira seu número? Teve o ímpeto de desligar, mas não o fez.
─ Não entre no MSN. Qualquer contato exterior e estará assinando a sentença de morte deles.
Gil tirou os óculos, deixando as lágrimas de desespero caírem.
─ Por quê!? Por que isso? ─ ela gritou engasgada no próprio choro.
As palavras seguintes dele doparam de pavor a alma da pobre garota:
─ Coloque os óculos, querida. Fica mais bonita com eles... ─ desligaram.
Gil deixou o fone cair, pois sua mão trêmula era incapaz de segurá-lo.

(continua...)

 

Escrito por Dark Gero às 20h15
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Melodia Parte II (por Dark Gero)

 

- Quem... Quem é você? - a voz de Bruna era praticamente um murmúrio. Encostou-se em uma árvore de costas, com o corpo imóvel, impossibilitado de agir.
- Não se assuste tanto, garota. Não sou seu inimigo... - o estranho falava com uma voz tranqüila, jovial. Era um homem alto, bonito. Tinha cabelos curtos e lisos, de uma cor escura que não soube identificar. Estava maquiado com tinta preta, com um visual gótico que combinava com sua roupa totalmente preta, incluindo um sobretudo obscuro. Tinha dois pequenos cintos presos a seu braço. Seus olhos não estavam mais vermelhos; tinham um castanho claro normal.
- Como sabe meu nome? - ela conseguiu perguntar, lembrando que ele a chamara pelo nome há poucos segundos atrás.
- Eu disse seu nome? - seu tom era divertido.
- Você... Você falou, sim... - Bruna não tinha a mínima intenção de discutir com aquele estranho. Não sabia nada sobre ele, e devido às circunstâncias, tinha motivos para acreditar que ele seria perigoso. Seus olhos voltaram a se encherem d'água. - Por favor, não me machuque...
- Não vou te machucar. Perdão por te assustar. Só queria te afastar do perigo - ele ficara sério de repente.
- Perigo...?
- O que você acha que houve com os outros passageiros? Não foi uma abdução nem um descuido te deixando lá sozinha.
Bruna percebeu que ele falava exatamente suas teorias. Estremeceu.
- O que houve com eles? - sua voz ainda saía sem segurança, tremulamente.
- O que eu não quero que aconteça com você.
Ela hesitou por um momento, com medo de fazer sua próxima pergunta:
- O que... você vai fazer comigo?
Ele deu um sorriso malicioso.
- Não pode voltar para o ônibus. A propósito, meu nome é Calef.
- Por favor, o que vai fazer comigo? - ela falou com mais força, superando o medo que a impedia de se mover.
- Te levar para um lugar seguro.
- O lugar seguro para mim é o ônibus. Alguém vai voltar pra me buscar...
- Se voltar para o ônibus vai morrer. Eles vão perceber que faltou um.
- Eles? De quem você está falando? Do que você está falando?
Ele levantou a cabeça subitamente, movendo o nariz como se estivesse farejando algo. Seus olhos voltaram a ficar vermelhos.
- Vamos, eles estão por perto - ele pegou no braço dela.
- Vamos pra onde? Pra onde está me levando?
- Cale-se, garota. Eles vão te ouvir.
Bruna soltou o braço e conseguiu correr. Estava tudo muito escuro, mas a luz da lua atravessava as brechas deixadas pelas copas das árvores. Ela esbarrou em algo. Dessa vez não era uma árvore. Era Calef. Segurou o pescoço dele, impedindo-a de falar.
- Olha, garotinha. Não ligo a mínima pra sua vida, mas se eles te pegarem terei sérios problemas - ele sussurrava, mas sua voz era feroz. Bruna sentiu o corpo desfalecer. Começou a perder os sentidos.
Mergulhou na escuridão.


A luz do sol fez a vista de bruna doer quando ela abriu os olhos. Estava sentada, encostada em uma grande pedra.
- Acordou? - a voz atrás dela assustou-a.
Calef rodeou a rocha, aparecendo em sua frente. Só então ela percebeu o quanto ele era bonito. E pálido. Ele comia uma maçã. Jogou outra para Bruna, que agarrou por reflexo. Só então ela lembrou-se do quanto estava assustada.
- Seu café da manhã.
- Eu quero ir embora! - ela conseguiu demonstrar uma ponta de irritação.
- Você vai aonde eu for. Não é uma negociação.
- E se eu me negar a ir? - ela atreveu-se a perguntar, embora não se sentisse corajosa o bastante.
- Então vou ter o trabalho de te carregar no ombro novamente.
Ela percebeu que não tinha escolha. Sua mente estava embaralhada com tantas perguntas que tinha vontade de fazer, mas sua curiosidade nem se comparava ao seu medo. Estava pensando desesperadamente em uma maneira de fugir.
- Não tem como fugir de mim.
Ela assustou-se por ele adivinhar o que ela estava pensando. Ele... estava lendo sua mente?
- Sim - ele falou mordendo a maçã. - Estou lendo seus pensamentos.
Ela tremeu.
- Como?
- Você pensa, eu escuto. Simples.
- Isso é impossível... O... O que você é?
Ele agachou-se perto dela, olhando-a nos olhos.
- Um vampiro.
Uma série de sensações tomou conta de bruna. Ela por um instante achou que ia desmaiar. Os olhos vermelhos, a velocidade...
- Vampiro? - sua voz saíra num fio.
- Isso. Já deve ter ouvido falar - ele olhou para as nuvens.
Claro que ouvira. Mas sempre achou que não passava de uma simples história de terror. Um personagem lendário, nada mais. Calef notou a expressão assombrada de Bruna. Parecia divertir-se com isso.
- Nós andamos ao sol sem problemas, mas isso é problemático. A luz suga nossas forças. Por isso a maioria de nós dorme ao dia e caça à noite. Infelizmente tenho que vigiar você até que esteja segura, por isso não posso me dar ao luxo de dormir - ele olhou para ela novamente. Ela estava encolhida, chorando assustada.
- Eu não vou te machucar. Não eu. Os responsáveis pelo que aconteceu no ônibus estão interessados em você, principalmente o líder deles, Divarius.
- Por que eu? - ela sussurrou às lágrimas.
- Seu sangue, sua pureza. Ele quer que seja a esposa dele, que dê cria a novas criaturas. Não acontece como nas histórias, em que uma mordida te transforma em vampiro. A mordida serve apenas para alimentar. Na verdade, alguns de nós precisam de um certo tipo de sangue para se reproduzir, e a dona do sangue tem que ser pura... Você tem o sangue ideal para Divarius. Você é rara. Tenho que impedir que ele coloque as mãos em você.
Ela enxugou as lágrimas, ainda tentando digerir aquelas informações fantásticas, surreais.
- Mas por que levaram todos, menos eu do ônibus, sendo que ele queria a mim?
- Você não entendeu. Eles não levaram ninguém do ônibus.
- Como assim? - ela estava mais confusa do que nunca.
- Você conhecia algum passageiro?
- Não... exceto um, que eu via raramente, o que estava no assento do lado do meu.
- Você não estranhou isso? Uma excursão repentina, em que nenhum conhecido seu participa?
Bruna empalideceu. Sentiu sua dor de cabeça piorar ainda mais.
Calef estreitou os olhos, fitando-a seriamente.
- Você era a única humana no ônibus, Bruna.

(Continua...)

 

Escrito por Dark Gero às 20h06
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